O Exame Nacional do Ensino médio foi criado em 1998 para avaliar a qualidade do ensino médio e posteriormente se tornou a principal via de entrada nas universidades públicas federais em 2004 primeiramente pelo ProUni e depois também através do SISU, já em 2010.

Prova do Enem

A prova realizada pelo INEP vinculado ao Ministério da Educação é o maior exame de admissão acadêmica do Brasil e o segundo maior do mundo, representando não somente a oportunidade de ingresso nas federais, mas também a obtenção de bolsas parciais ou integrais em universidades particulares. Uma avaliação tão singular promoveu todo um cenário ao redor de si com o decorrer dos anos e de seu aprimoramento, cursinhos especializados, específicas de disciplinas fortes e redação, turmas de 3° ano intensivas em escolas de ensino médio, sites e canais de youtube voltados para os principais conteúdos cobrados na prova além de toda uma cultura de estudo e perfil de alunos focados neste modelo único de avaliação nacional.

 

O Enem mudou o perfil do aluno brasileiro que passou a ter um padrão de avaliação norteando sua preparação, uma vez que a contextualização e interdisciplinaridade tendo temas atuais e reflexões sociais importantes são uma constante nas questões da prova.

aluno que se preparava para o ENEM

Apesar do ensino via EAD já ser uma opção para o aluno que se preparava para o ENEM a forma presencial de ensino era ainda a principal via de obtenção do conhecimento necessário para se encontrar apto a concorrer pelas vagas disponibilizadas nos mais diversos cursos por todo o país; no entanto após 15 anos deste dinâmico cenário que cercava o exame o Brasil se viu no meio de uma pandemia mundial que tirou o ensino a distância do status de opção para uma realidade para a qual nenhuma instituição de ensino médio ou curso preparatório estavam preparados.

 

De repente milhões de estudantes viram seus quartos se tornarem sala de aula e telas de computadores e smartphones se transformarem em lousas junto às quais professores aturdidos tentavam se acostumar às novas tecnologias e ferramentas para driblar o desafio da distância e da metodologia, tendo como pano de fundo um completo cenário de incertezas e medos.

 

O estudo em casa, a princípio visto por boa parcela dos estudantes como uma novidade e comodidade aos poucos foi se tornando desanimador, cansativo e desmotivante; as razões para tal mudança são várias, a falta de contato com os colegas e professores, a rotina estudantil confundida com a rotina doméstica, a dificuldade de adequação as tecnologias de videoconferência e plataformas de tarefas e avaliações além da ausência da cobrança que o modelo presencial consegue impelir ao aluno relembrando-o a todo o momento de seu foco na aprovação acadêmica.

Estudo Presencial

Não se consegue mudar anos de uma cultura de estudo presencial para ensino a distância com a mesma dedicação, comprometimento e disciplina de estudo e execução das tarefas, trabalhos e avaliações tão essenciais para a preparação do estudante rumo ao ENEM; por outro lado, escolas e professores precisaram entrar em uma corrida contra o tempo para aprender novas ferramentas virtuais, como ensinar diante de uma câmera, como prender a atenção do aluno ao mesmo tempo em que dividia estes novos desafios com a rotina doméstica de afazeres e filhos necessitando de seu acompanhamento no estudo remoto.

 

Outro fator que não pode ser esquecido é o emocional, medo da enfermidade, informações imprecisas e desencontradas, perda de familiares, amigos, ídolos culturais; um mundo perdido na incerteza, o que levou os estudantes brasileiros, assim como a toda a população de encontro a pânicos, depressões e crises de ansiedade. Sem vislumbrar um fim para a situação que assolava a saúde internacional aliada ainda às tensões das crises financeiras que atingiram em cheio seus pais ou até mesmo os próprios estudantes diretamente, o desânimo e falta de interesse por buscar manter o foco no objetivo da aprovação no ENEM levou em 2020 um percentual de abstenção recorde de aproximadamente 55,3% segundo o INEP e em sua reaplicação, autorizada pelo MEC em função do cancelamento da prova em várias cidades e estados no início de 2021 à abstenção chegou a assustadores 72%.

Ingressar em uma universidade

Mas o que teria causado um fenômeno de desistência tão maciça no Exame referência do país do qual dependia o futuro de 5,5 milhões de estudantes que eram esperados nos locais de aplicação das provas? O medo de contaminação no caminho ou nos locais de prova foi fator determinante, mas não se pode desconsiderar que os alunos não se sentiam preparados, e de fato não estavam; instituições de ensino não conseguiram driblar a tempo todos os desafios de uma EAD forçada, os professores não conseguiram cumprir conteúdos ou sanar dúvidas da forma que gostariam e estavam acostumados o modelo presencial, pois era impossível se adequar a uma mudança tão drástica em um espaço tão curto de tempo; a maioria dos cursinhos preparatórios nem mesmo resistiu sem conseguir continuar funcionando dado a importância para sua modalidade da presença de alunos e professores interagindo presencialmente na sala de aula.

 

A dúvida de se manter o objetivo de ingressar em uma universidade em uma situação de pandemia atingiu em cheio os estudantes brasileiros, porém toda adversidade tem sua virada, toda dificuldade pode ser vencida com empenho e coragem para enfrentar a nova realidade, o ser humano é a espécie mais adaptável de que se tem conhecimento, além disso a experiência veio com a necessidade e tanto instituições como profissionais da educação se encontram hoje muito mais seguros para ensinar de forma hibrida ou a distância. É claro que estamos longe do ideal e os alunos das instituições públicas ainda tem um desafio maior pois em sua maioria ainda não tem a disponibilidade do modelo hibrido enquanto as escolas particulares já há alguns meses conseguem trilhar este modelo com um pouco mais de segurança; de fato o Enem é hoje uma desafio ainda maior, mas é importante ressaltar que todas as dificuldades impostas pela pandemia aos estudantes foram impostas a todos e que as discrepâncias entre ensino público e  particular já eram uma barreira a ser driblada antes da pandemia, portanto os novos desafios devem ser vistos também como novos estímulos para vencer a jornada rumo a universidade via Exame Nacional do Ensino Médio, de forma que a pergunta que ecoa na mente de milhões de estudantes do Brasil “Devo apostar no Enem?” só pode ter uma resposta, sim, pois, independente de tudo que se passou, mais desafios tornam a vitória mais atrativa .

Enem 2021

O Enem de 2021 tem data marcada para novembro nos dias 21 e 28 em um ano onde a vacinação já é uma realidade, embora mais lenta do que gostaríamos, e do ensino híbrido como uma modalidade real em crescimento e bem mais próxima do que conhecemos como normal; tudo isso deve ser visto como esperança para retomar o sonho da aprovação na maior via de ingresso nas universidades do Brasil e consequente início de uma vida profissional, afinal, o presente não pode mais esperar e o futuro precisa chegar.